| RUÍNAS DO PASSADO ASSENTE NUM PRESENTE ARENOSO COM UM FUTURO INCERTO |
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| Escrito por Administrator |
| Sexta, 26 Junho 2009 13:38 |
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Em Nebatine, onde é suposto que João baptista tenha baptizado Cristo, um posto da guarda israelita vigia de armas aperradas, tal como do lado Jordano, os que se ali se dirigem para ver rio cujo leito de vários metros foi desviado por ordens de Telavive, deixando um leito de pouco mais de dois metros. Domingos Lopes
RUÍNAS DO PASSADO ASSENTE NUM PRESENTE ARENOSO COM UM FUTURO INCERTO
A Jordânia é um país cheio de história. A civilização ocidental, designadamente na sua vertente religiosa, também teve origem naquelas bandas. Por lá passaram e se estabeleceram gregos, romanos, bizantinos, muçulmanos omeiadas, turcos, entre outros. A Jordânia está encravada numa zona charneira no Médio Oriente. Faz fronteira com Israel, Egipto, Síria, Iraque e Arábia Saudita. Dificilmente há fronteiras mais escaldantes, em termos de clima de guerra e de conflitualidade. A maior parte da Jordânia é constituída por zonas desérticas ou semi-áridas, onde se alcança imediatamente a escassez de água. A sua população beduínos, é minoritária, um milhão e quinhentos mil. Os restantes são palestinianos (refugiados) e emigrantes provenientes do Egipto, srilankeses, tailandeses. Recentemente com a guerra do Iraque, dezenas de milhares de iraquianos encontram refúgio neste país. A nossa viagem correu ao ritmo do palpitar da História que os diferentes povos foram forjando. Nas persas escavações visitadas eram bem visíveis as diferentes crostas invasoras, nabateias, assírias, gregas, romanas, bizantinas, turcas, árabes – umas em cima das outras. O que não se via, mas imaginava-se eram as pilhas de ossos que custaram as persas invasões. Em nome dos deuses ou de um Deus os homens destruíram, construíram, destruíram, e neste movimento louco de destruição e glória a espécie humana ergueu castelos, palácios, fortificações e cidades como Petra, Jericó, Jerash, karrak, entre muitas outras. Se a natureza se encarregou de alinhar as formas das areias, das montanhas do deserto em Wadi Rum, ou as gargantas de desfiladeiros em Petra ou o cume rústico do Monte Nebo a contemplar o túmulo de Aarão e Jerusalém a poente, o homem, esse caminhante de todos os sonhos, fez dessas obras a sua própria obra, a História. À procura dessa obra andámos e para regalo do nosso olhar e sensibilidade durante dias percorremos os melhores passos desse nosso irmão antepassado, ora carregado de sedas, ora de especiarias, ora de metais preciosos e sempre com deus ou em deuses que lhe haviam de dar protecção. Em cima de um templo antigo egípcio ou grego os crentes de Jesus logo o destruíram e das suas entranhas revolvidas ergueram catedrais ou basílicas; outros vieram em nome de Maomé para nesta louca aventura humana destruir a igreja e erguer a mesquita. E depois os bizantinos vieram destruir a mesquita e voltar a erguer a igreja. Nesta luta entre o campanário e o minarete, foram os crentes que pagaram com a sua própria vida a arte das espadas ou cimitarras. E por entre a paisagem fantasticamente desoladora e contagiante do deserto o viajante interroga-se porque é o homem o maior inimigo do homem? Do outro lado do Mediterrâneo Israel não larga mão da Cisjordânia, de Gaza dos Montes Golan, e já passaram mais de dois mil anos desde que a Palestina é Palestina, mesmo antes de Jordânia, da Arábia Saudita e de tantos outros países. Afinal as ruínas do passado estão bem presentes nas entranhas do tempo presente. Vistamos o forte onde Lawrence da Arábia liderou a revolta de afirmação árabe e de novo as armas como pano de fundo. Em Nebatine, onde é suposto que João baptista tenha baptizado Cristo, um posto da guarda israelita vigia de armas aperradas, tal como do lado Jordano, os que se ali se dirigem para ver rio cujo leito de vários metros foi desviado por ordens de Telavive, deixando um leito de pouco mais de dois metros. Por todo o lado o rei hachemita nos contempla. Às vezes acompanhado dos seus antepassados. Outras vezes ao lado da sua esposa e rainha . Não há sítio que eles não não nos vejam. Provavelmente para proteger os seus súbditos de outras ideias. Provavelmente. O certo é que o Reino tem um Rei e uma Rainha e um povo que lhes ergue os seus muitos palácios em Aman, Aqaba, Petra de modo a que, como nos ensinou o nosso guia, seja possível afirmar que só o irmão do Rei sabe onde ele dorme; nem os guardas. Provavelmente para que o povo não o vá venerar e impedir que descanse do seu trabalho em prol da economia da off shore de Aqaba e da abertura aos capitais com propensão para investir no turismo e na hotelaria. Por entre o tempo, já que as distâncias entre palestinianos e jordanos não existem, há um povo que não tem rei, nem terra, e vive refugiado no seu próprio país e na vizinha Jordânia. Por entre as ruas de Aman os comerciantes amontoam-se, como se fosse uma Praça de Espanha gigantesca. Ofereceram-nos roupa, fruta, marroquinarias, cerâmicas, ferramentas, ferragens e outros bens. Em muitas lojas os donos exibem fotos de Saddam Hussein. Outros apenas um sorriso de comerciante que logo a globalização nos aproxima quando de Portugal nos atiram o nome de Cristiano Ronaldo. Por entre o tempo presente, num Reino de outro e deste tempo, passa um povo que do seu passado, parece saber pouco. E do seu futuro, que sabe? Nas ruínas do passado, no presente fluído, quase sem margens, o futuro é incerto. Será que o povo saberá um dia onde dorme o seu Rei? E se souber? |
| Actualizado em Sexta, 26 Junho 2009 13:52 |



